domingo, 29 de março de 2009

Moribundos

Créditos: André Katayama
Com umas pontadas no estômago caminhei rumo à igreja. Uns 7 minutos e uma curta caminhada são o bastante para se chegar ao destino final. Dessa vez, caminhei pensando no futuro; conversei com Deus sobre quem sabe, talvez, tornar-me um teólogo, missionário ou sei lá, alguém importante. Viajei na possibilidade de fazer um bom seminário, uma boa pós, um bom mestrado, aquele doutorado fora do país quem sabe. Afinal, não custa nada sonhar. Andando e me programando sobre como chegar a tais méritos, avistei logo a frente uma família que com alguma dificuldade empilhava uns grande-papelões; para que não atrapalhassem os meus pensamentos e, também, por conta de algum receio meu com relação à minha segurança, atravessei a rua, mesmo não precisando.
Corri a Avenida Morena com alguma pressa. Do outro lado da rua, deparei-me com um homem cambaleante, balbuciava algumas palavras pouco entendíveis e, um pouco antes de nos cruzarmos, ele caiu na sarjeta com rosto deprimido. Desviei-me. Continuei minha caminhada. Virei à direita. Susto. Um homem mal-vestido, roupas sujas, boné-político, cigarro na boca, devia ter lá seus 50 anos; estava encostado no muro da esquina, sem aviso prévio, motivo da minha adrenalina. Afastei logo os fatos anteriores da mente e cheguei a salvo à igreja.
O louvor começava e as músicas desse dia em especial eram de adoração; a presença de Deus se fazia como um sopro, um sensação agradável. Aconchego. Ao acabar o período de cânticos, o pregador já preparava os corações dos jovens, avisando-os que Deus fizera-o mudar de mensagem fazia pouco mais de duas horas. O texto da pregação: I Reis 17:10-15 cujo conteúdo era o da viúva necessitada que por fé deixara seus direitos e se dispusera a Elias, homem de Deus. Aquela mensagem, de alguma forma, fez-me repensar em meus conceitos e preconceitos. Ao lembrar dos incidentes pré-culto, percebi o número de vezes em que fui "tímido" e deixei de ser usado como instrumento de benção, homem de Deus. Ignorei. Pensei mal. Egoísta. Hedonista. Maltrapilho. Coração duro. Moribundo sou eu. Transforma-me, Senhor.

4 comentários:

Issá!* disse...

Bom texto, bom mesmo!!
acho que muitas vezes somos tão moribundos qto aqueles q julgamos né? :~

mas que a mudança venha! ^^
;*

ahk disse...

oO!...
cara, tinha escrito um texto sobre isso também.
ia postar no blog ontem, mas não quis não sei pq oO uageiageaieoaea...

que da hora =)
ehh...penso nisso também x/~~
que diferença temos nós de mendigos ou pessoas dessemelhantes a nós?

grande abraço =)

Wilsinho disse...

Também fico bastante incomodado, principalmente por frequentar uma igreja rica e cheia de recursos, mas que não tem atuado como deveria na área social. Espíritas, LBV fazem isso muito bem. Podemos aprender um pouco com eles a sermos as mãos e pés de Jesus aqui. Esse comentário é pra mim mesmo. Toma vergonha japonês.

Anônimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=FZgj57bfK_o

yugo.